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martes, 31 de enero de 2017

DIVINE E JOHN WATERS EM "PINK FLAMINGOS"

DIVINE E JOHN WATERS EM PINK FLAMINGOS

Não é fácil assistir a Pink flamingos (1972), tão assumidamente trash e provocador. Ganhou reputação como o mais repulsivo dos filmes nos planos técnicos e estéticos. Já nasceu ostentando o título de “clássico da contracultura”. Prepare o estômago caso pretenda assisti-lo. Tome idênticas cautelas antes de ler a apreciação.




Pink flamingos


Direção:
John Waters
Produção:
John Waters
Dreamland
EUA — 1972
Elenco:
Divine, David Lochary, Mary Vivian Pearce, Mink Stole, Danny Mills, Edith Massey, Channing Wilroy, Cookie Mueller, Paul Swift, Susan Walsh, Linda Olgeirson, Pat Moran, Jack Walsh, Bob Skidmore, Pat Lefaiver, Jackie Sidel, Julie Munshauer, Steve Yeager, Nancy Crystal, George Figgs, John Oden, George Stoll, David Gluck, Elizabeth Coffey, Margie Donnelly, Margie Skidmore, Berenica Cipcus, Iris Burman, Randy Burman, Don Blumberg, Vincent Peranio, Bob Adams, Mark Lazarus, David Lehman, Catriona Maloney, Richard Keller, Charlie Swope, Barry Golome, Ed Peranio, Elia Katz, Steve Waters, Billy Davis, Howard Gruber, Van Smith, Chuck Yeaton, Laurie Birnbaum, Lenny Taylor, Trick Grantham, Mark Isherwood, Randy Damm, Alan Reese, Alberta Reese, Cowboy Foulke, David Sander, Brigette Grey, John Herndon, Ellis Clark, Joe Wilepski, Jimmy Hutzler, Paul Landis, Lawrence Irvine e os não creditados Marina Melin, Max Mueller, John Waters.





Um filme difícil de assistir! Não consegui vê-lo completamente na primeira tentativa. Senti-me como Alice, de Lewis Carroll. Tive a sensação de ser lançado de chofre e em turbilhão na realidade invertida do país do espelho. Terminei violando os princípios que me regem na cinefilia: “Jamais abandonar um filme. Acompanhá-lo até o final, não importando a temática, os aspectos cinematográficos ou as condições de exibição”. Infelizmente, não deu. Diante das imagens de Pink flamingos o mal estar se instalou. Para não vomitar, achei melhor sacrificá-lo. A realização de John Waters é exemplo do que se pode chamar de cinema extremo. Aliás, nesse mesmo dia vira, momentos antes, outra mostra da extremidade cinematográfica: Salò ou Os 120 dias Sodoma (Salò o Le centoventi giornate de Sodoma, 1975), de Pier Paolo Pasolini. A dose foi excessiva, provavelmente.


Enfim, passados 24 anos saldei minha dívida com o filme de Waters. Mas, onde o assisti? Em sala especializada na exibição de produções marginais, independentes ou alternativas? Que nada! Vi Pink flamingos na televisão! É certo que a exibição não foi em rede aberta, mas no Cinemax, canal por assinatura do grupo HBO. Apesar de atingir público mais restrito, já seria motivo para o romano Cícero, se vivo estivesse, mais uma vez clamar “O tempora, o mores!”.


Pink flamingos não é para todos os estômagos e sensibilidades. O espectador, da primeira à última cena, será submetido a uma prova física e mental sem precedentes. Minimamente, a realização pode ser categorizada como transgressora. Sequências de estupro, incesto, masturbação, desmembramento, canibalismo, voyeurismo, zoofilia e felação, além da franca exposição contorcionista de um ânus cantante (isso mesmo!), sucedem-se tão explícita e abusadamente a ponto de reduzir a literatura do Marques de Sade à área infanto-juvenil. Próximo do final, a opulenta drag queen Divine — alcunha de Harris Glenn Milstead — profere com gosto e ênfase seu arrepiante manifesto pró-escatológico. Alega gostar de sangue, de assassinato e de sentir seu sabor. Faz convocação à matança generalizada, defende o canibalismo e a coprofagia. “Obscenidade é minha política, é minha vida”, afirma. Até este momento, o espectador arrepiado acredita ter visto tudo. Mas, não! Ainda passará pela sequência que deixou o filme famoso: Divine, sem a menor cerimônia, leva à boca as fezes que um poodle acabara de expelir, exibindo em close quase completo o sorriso que a iguaria deixou amarelado. Tais imagens, segundo consta, dispensaram adereços cênicos, efeitos especiais e exercícios de montagem. São secamente reais. O ator faleceu precocemente, aos 42 anos, em 1988, por asfixia decorrente, provavelmente, de complicações gastrointestinais.


Desde a estréia em janeiro de 1973, no Elgin Theater de New York, onde ficou mais de um ano em cartaz, Pink flamingos foi imediatamente elevado ao incontestável status de clássico da contracultura. Ao mesmo tempo firmou reputação como o mais repulsivo dos filmes, nos planos temáticos e estéticos. Dados da produção estimam seu custo em irrisórios 10 mil dólares. As filmagens, conduzidas em esquema totalmente amadorístico, como ação entre amigos, duraram poucos dias, nos finais de semana, nos meses do inverno de 1971 e 1972, em Baltimore, cidade natal do diretor. Os dias úteis foram empregados no levantamento de recursos que bancaram a produção.


Não há como enquadrar Pink flamingos em qualquer gênero cinematográfico. O próprio esquema produtivo evitou classificações nesse sentido. Preferiu tratá-lo simplesmente como “Um explícito exercício de mau gosto”. Evidentemente, nada é assim tão simples. John Waters teve, provavelmente, a saudável intenção de subverter normas e padrões; atingir o espectador moldado por preconceitos; expor outras possibilidades do ser e do fazer humanos, ocultas sob capas consolidadas pela cultura e pela civilização, inclusive nas formas mais aberrantes e aviltantes. E que não estranhemos nenhuma delas!


A narrativa anarquizada de Waters enquadra a realização como “cinema de guerrilha”. O filme provoca impacto. Revira, desperta e alucina o espectador via exposição franca e aberta de elementos escatológicos e pornográficos. Exibe com irreverência perversões físicas e mentais. Tabus e bom gosto são mortalmente abatidos. Se o espectador ficar enojado e enjoado, ou, além disso, refletir sobre as imagens, o franco atirador Waters terá dado conta de suas funções provocadoras e desestabilizadoras.


Antes do lançamento Pink flamingos revelava a clareza de suas pretensões. O trailer, desprovido de imagens, apenas expunha sobre fundo negro os dizeres: “Além da pornografia... O filme americano que mais lembra O cão andaluz[1], de Buñuel, segundo o New York Magazine”. Seria bom saber o que Buñuel pensaria disso. As intenções anárquicas e provocadoras são explicitadas na dedicatória aos tresloucados assassinos da família Manson, gang responsabilizada pela morte de Sharon Tate — esposa grávida de Roman Polanski — em 1969. Avançando no despudor, exibe graffiti pedindo a liberdade do líder do grupo, Tex Watson[2], condenado à prisão perpétua pela morte de Tate e outras 8 pessoas.


As condições da época de realização de Pink flamingos podem explicar tanta fúria e irreverência. Era o início dos anos 70. Os Estados Unidos, na década anterior, passaram por processos que atingiram o cerne de seu conservadorismo político e social: campanha em prol dos direitos civis, movimento hippie, nascimento de uma cinema mais livre e contestador, explosão do consumo de drogas, eclosão da cultura pop e do underground, afirmação do rock, manifestações dos Panteras Negras, protestos contra a Guerra do Vietnam e os assassinatos dos irmãos Kennedy, de Malcoln X e Martin Luther King. O mal iniciado decênio seguinte parecia antecipar uma ressaca, um período de perplexidade indicando falta de direção e consolidação de nova onda conservadora. As jornadas de liberação social perdiam força. O movimento hippie esbarrava em seus limites. Quando todos pareciam perguntar “E agora, o que fazer?”, surge o filme de John Waters para virar tudo pelo avesso, parecendo encampar as intenções do nosso Abelardo “Chacrinha” Barbosa: “Não vim para explicar, mas para confundir”. Isso faz Pink flamingos, com implacável ímpeto demolidor, mirando a moral, as boas maneiras, a alienação e os preconceitos, tratando tudo de modo propositalmente ofensivo, elevando o burlesco ao paroxismo, envolvendo todo o conjunto numa embalagem assumidamente trash.


A versão de Pink flamingos exibida pelo Cinemax, em comemoração ao seu (do filme) vigésimo-quinto aniversário, é a original, de 91 minutos. Ao final, em 17 minutos, John Waters tece explicações e comentários. Também se mostram cenas eliminadas do corte definitivo.


O argumento gira em torno de uma guerra entre famílias. Posicionam-se, de um lado, Divine — identificada como Babs Johnson — e seus agregados; de outro, o casal Marble, Connie (Stole) e Raymond (Lochary). Nos embates, empregam-se táticas dignas da Máfia.


Criminosa foragida, procurada pelo FBI e expulsa do convívio social por práticas pouco ortodoxas, Divine vive refugiada em trailer cercado por esculturas plásticas de flamingos rosas, no bosque situado em Fill Port Road. Acompanham-na a mãe Edie (Massey), o filho Crackle (Mills) e a amiga Cotton (Pearce). Edie, incapaz de locomoção, passa os dias em trajes menores, num berço, pensando unicamente no seu alimento preferido: ovos, ingeridos em profusão, de todas as maneiras, inclusive crus. A visita que mais espera, dia após dia, é a do entregador de ovos (Swift), com o qual contrairá matrimônio. Crackle ocupa o galinheiro próximo ao trailer, onde dá vazão à zoofilia mesmo quando mantém relações com parceiras normais (!). Cotton, platinum blonde do tipo fatal, não se deixa tocar. Encontra satisfação sexual como voyeur dos espetáculos proporcionados por Crackle.


Na cidade vive o casal Marble. Connie dirige os empreendimentos da família, que incluem rentável comércio de bebês vendidos a casais gay. As mães das crianças, raptadas e mantidas prisioneiras, são fecundadas pelo mordomo Channing (Wilroy) e assassinadas quando perdem utilidade. O dinheiro obtido no negócio é investido em sex shops e tráfico de heroína em escolas primárias. Raymond, marido de Connie, passa os dias em parques e jardins, apavorando moçoilas incautas com o mais depravado dos exibicionismos: salsichas e similares são utilizados para ampliar os efeitos da ação.


Para inveja dos Marble, a imprensa elegeu Divine a “Pessoa mais obscena do mundo”. É o que desencadeia a guerra. Cobiçando o título, Connie e Raymond tentam minar a reputação da oponente, inclusive destruí-la. Infiltram no grupo da rival a informante Cookie (Muller), que protagoniza com Crackle e uma galinha o mais grotesco dos ménage à trois. Presenteiam Divine com as valorizadas fezes de Connie; sabotam-lhe a festa de aniversário, mas os policiais chamados para encerrar o evento são emboscados, trucidados, desmembrados e canibalizados por Divine, familiares e convidados. Por fim, desesperados, os Marble incendeiam o trailer.


Em retaliação, Divine e Crackle invadem a residência dos Marble, encontrando-a vazia. Profanam o ambiente, lambendo tudo o que acham. No auge da ação, cometem a “suprema maldição”: num estado próximo do transe, Divine aplica felação explícita em Crackle. Em nova invasão, com o apoio de Cotton, deparam-se com Channing e as mulheres aprisionadas. Estas, libertadas, trucidam o mordomo que as engravidava. Decepam-lhe os genitais. Os Marble, surpreendidos, aprisionados e conduzidos ao mato, são julgados, humilhados e mortos diante da imprensa. Consumada a vingança, Divine, Crackle e Cotton fogem para Boise, Idaho. Planejam passar a noite em banheiros de postos de gasolina. Edie, casada com o entregador de ovos, passa lua de mel nas maiores granjas da Costa Oeste.


Acerca de Pink flamingos, disse-me uma amiga em tom definitivo: “Que filme podre!”. De fato, a realização de Waters não permite bons sabores e odores. É tosca nos planos técnico e estético. As imagens, mal enquadradas, são de colorido berrante sempre variando no tom. A montagem é deprimente, com cortes que parecem fora do tempo e lugar. A sonoplastia lembra os primórdios do cinema sonoro, satirizados em produções como Cantando na chuva (Singin'in the rain, 1952), de Gene Kelly e Stanley Donen: o volume do som, em um mesmo plano, sobe ou desce à medida que os personagens se afastam ou se aproximam dos microfones.


Mas será que tudo pode ser analisado apenas como uma mera e gratuita exposição mal ajambrada de perversidades e baixos instintos? John Waters pretendia somente isso? Pode até ser. Porém, situando a realização em sua devida dimensão temporal, algo mais parece emergir. A disputa entre os Marble e Divine, somada ao papel da imprensa na valorização de sensações e mitos de ocasião, parecem sintomáticos de hábitos e padrões sociais de comportamento tão presenciados na cena quotidiana, mas elevados ao paroxismo na tela.


De certa maneira, Pink flamingos é um manifesto premonitório. Antecipa os rumos da atual sociedade de consumo, tão largada aos fogos de artifício detonados por uma mídia cada vez mais preocupada com a exposição de tendências, atribuições de títulos e disputas de socialites por visibilidade, com grupos e indivíduos revelados como os “mais isso” ou “os mais aquilo”. O filme de Waters aborda em tons perversos e irreverentes as tendências e os gostos de uma sociedade burguesa obrigada a se reinventar constantemente pela exposição pública de suas características privadas e fúteis. Divine e os Marble, disputando o título de reis da obscenidade, expõem o nervo ferido moldado pelo status quo liberal. Este reduziu o indivíduo, em seu sentido contemporâneo, à busca de realização e visibilidade pelas fotografias que o expõem na Ilha de Caras, nos balneários do Caribe, nos programas de TV — cada vez mais numerosos — que tratam de moda e aparência, no Big Brother e suas muitas variações, na Dança dos Famosos, nos tapetes vermelhos das premiações etc. Enquanto isso, uma mídia cada vez mais especializada em futilidades e fugacidades vive de exibir o lixo e o luxo às atuais patuleias, cada vez mais induzidas às novas modalidades de pão e circo. Em busca de fama e exposição, os indivíduos são levados a praticar e a exibir o que há de mais vil, brutal e inimaginável.


Nos comentários e explicações de Pink flamingos, John Waters revela o fim da galinha forçada ao ménage à trois com Cookie e Crackle. Como as imagens parecem adiantar, a pobrezinha não resistiu, levando a produção a enfrentar protestos de associações de defesa dos animais. Porém, de forma zombeteira e cínica, Waters revela que a vítima teve fim digno: foi devidamente preparada e servida aos convidados durante a sequência da festa de aniversário de Divine.


Ficaram excluídas da edição final cenas com participação da personagem Patty Hitler (Moran); do assassinato de Cookie, canibalizada por Crackle; da interpretação, na língua do “P”, da canção Somos as pessoas mais obscenas do mundo, por Divine, Cotton e Crackle. Também foi eliminado o ataque que Edie sofreu dos Marble, ficando empapuçada pelos fluídos de muitos ovos estourados.


Atualmente, diante da exposição sem peias de conteúdos trash e pornográficos em televisão, cinema e Internet, sem falar da proliferação de jornais e revistas dedicados à publicação desses materiais, fica a impressão de que o dado irreverente, demolidor e exagerado de Pink flamingos foi bastante atenuado. De certa maneira, a realização de Waters perdeu força devido ao crescente advento e exposição de imagens que acabaram por banalizar um filme tão transgressor e perturbador em 1972, inclusive pelas características escrachadas e rudimentares da produção.


Por outro lado, 40 anos depois de conceber Pink flamingos, John Waters já não é mais o mesmo. O diretor de Female trouble (1974), Polyester (Polyester, 1981), Hairspray: E éramos todos jovens (Hairspray, 1988) deixou, de certa forma, de ser um iconoclasta. Seu poder de guerrilha se esvaneceu, desde a realização de Mamãe é de morte (Serial mom, 1994). Este filme marca a entrada de Waters no mainstream do cinema. Seu Hairspray foi refilmado em 2007 [Hairspray: Em busca da fama (Hairspray), de Adan Shankman], com elenco all star e suporte de produção “A”. Os roteiros desse filme e de Cry-baby (1990) foram adaptados ao teatro e encenados na Broadway. São reflexos de um sistema que logo desqualifica e domestica o que é original e transgressor. Tudo é logo anulado. Demônios são transformados em anjos e vendidos em todos os bazares, para consumo imediato, com uma rapidez impressionante.



Roteiro, direção de fotografia (cores) e montagem: John Waters. Desenho de produção e direção de arte: Vincent Peranio. Maquiagem de Divine: Van Smith. Penteados: David Lochary (não creditado), Mink Stole (não creditada). Assistente de direção: Pat Moran (não creditada). Planejamento do set: Vince Peranio. Gravação de som: Bill Porter (não creditado). Unidade de fotografia: Lawrence Irvine. Operador de câmera: Brad Ganson (não creditado). Figurinos de Divine: Van Smith. Assistentes técnicos: Bob Adams, Barry Golome, Ed Peranio, Vincent Peranio. Planejamento dos títulos: Randy Burman, Alan Rose. Companhias de efeitos óticos: Allen Lee Opticals, Rockford. Tempo de exibição: 108 minutos.


(José Eugenio Guimarães, 2012)


 [1] Un chien andalou, produção espanhola de 1929, realizada por Luis Buñuel e Salvador Dali, marco do surrealismo no cinema.

[2] Mais conhecido como Charles Manson ou, segundo o registro civil, Charles Denton Watson.

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4 comentarios:

  1. Olá querida Eugenio .... Bem, como dizemos por aqui ... Tudo é na vinha do Senhor ... O que se vale a pena desfrutar é o seu grande trabalho neste post ... Obrigado por compartilhar .. abraços comando .TE e doces beijos ... !!! :)

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    Respuestas
    1. Olá, Maria Del Socorro!

      Gracias pela apreciação. Definitivamente, não é um filme fácil de se ver. Porém, já foi "amaciado" pelo tempo.

      Beijos doces.

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  2. Maravillosa entrada gracia por compartir saludos cordiales

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    Respuestas
    1. Muitíssimo obrigado, caro Isidro. Abraços e saludos.

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